Guerra às drogas: História
- 9 de set. de 2017
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Conferência Internacional do Ópio
Em 23 de janeiro de 1912, em Haia, na Holanda, o mundo deu seu primeiro passo rumo à repressão das drogas com a assinatura da Convenção Internacional do Ópio, em uma conferência que tivera o mesmo nome. Encabeçado pelos Estados Unidos como respostas às críticas crescentes ao consumo de ópio, o tratado também foi assinado pelo Reino Unido, Alemanha, Holanda, Itália, França, Portugal, Rússia, Japão, China, Tailândia e Irã.
O pacto foi registrado na Liga das Nações, e entrou em vigor a nível mundial quando foi incorporado ao Tratado de Versalhes (que encerrou a Primeira Guerra Mundial), em 1919.
A partir disso, em 1914, os Estados Unidos deu início a primeira política pública moderna de repressão às drogas. Apenas quatro anos haviam se passado quando fora criada uma comissão governamental para avaliar os efeitos da legislação que tornaram substâncias como o ópio ilegais no país: A descoberta foi de um crescente mercado negro de drogas, que já se fazia presente em todo território estadunidense.
Richard Nixon e a "Guerra às drogas"
Durante uma coletiva de imprensa, em 1971, o então presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, declarou que o abuso do uso de drogas ilegais era o "inimigo público número um" do país. Anteriormente, Nixon já haviam enviado ao Congresso uma mensagem sobre "Prevenção e Controle do Abuso de Drogas", que incluía propostas de investir mais recursos federais em prevenção de novos viciados e a reabilitação daqueles que já estavam no vício.
A mensagem do presidente se contradisse, uma vez que o termo criado pelo próprio, a "guerra às drogas", não passou de um instrumento de perseguição para hippies e negros. John Ehrlichman, que foi chefe da política interna do governo Nixon, afirmou em uma entrevista à revista Harper's que a política em questão não possuía o objetivo real de repressão às substâncias químicas:
"Nós não poderíamos tornar ilegal ser anti-guerra ou ser negro, mas fazendo o público associar os hippies com maconha e os negros com heroína, e depois criminalizando as duas drogas severamente, nós poderíamos destruir essas comunidades." Declarou. John contou, ainda, que também tratava-se de perseguições políticas: "Assim poderíamos prender seus líderes, invadir suas casas, suas reuniões e difamá-los diariamente nos noticiários. Se nós sabíamos que estávamos mentindo sobre as drogas? Claro que sim!".
Durante o governo de Barack Obama, em 2015, a Casa Branca resolveu conceder liberdade a detentos de penitenciárias federais como tentativa de amenizar a superlotação. Na época, mais de 205 mil pessoas cumpriam penas em presídios federais, e metade delas estava atrás das grades por crimes relacionados a drogas. O plano era que até novembro de 2016, 8.550 presos desse tipo fossem libertados. A medida, porém, não afetou os encarcerados em prisões estaduais, parcela expressiva da maior população carcerária do mundo, com 2.239.751 pessoas.

Publicidade de pânico
Em seu incansável (e teórico) combate às drogas, os Estados Unidos difundiu propagandas de pânico no rádio, cartazes e em fóruns nacionais contra as substâncias proibidas. O governo teve apoio do dono do monopólio da mídia local na época, Willian Hearst (o "cidadão Kane").
As campanhas eram dirigidas por Harry Anslinger, comissário do serviço de narcóticos, e seus cartazes associavam maconha à orgias e festas selvagens, fazendo também relações com pecado, insanidade, crime, tristeza, ódio, degradação e vergonha.
Em um discurso no Senado, Harry Anslinger se manifestou indiretamente sobre o conteúdo das publicações: “Há 100.000 fumantes de maconha nos EUA, e a maioria são negros, hispânicos, filipinos e artistas. Sua música satânica, jazz e swing, é resultado do uso da maconha. Esta maconha faz com que mulheres brancas busquem relações sexuais com os negros, artistas e quaisquer os outros” declarou.
Cartazes da publicidade de pânico. Fonte: Site Politize


































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